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FALAR SOBRE SINOP TEM A VER COM O CONHECIMENTO DO PASSADO QUE GERA IDENTIFICAÇÃO COM O LOCAL


Data: 18 de setembro de 2020

Tiago Alinor Hoissa Benfica

‘Infelizmente, as autoridades ainda não se atentaram para a importância que a história da cidade tem sobre a identidade do seu povo, sobre o sentimento de pertencimento e de amor à localidade que a memória social tem a contribuir com o sentimento de ser sinopense.’

Por Ricardo Perez Perez, Sinop 18 de setembro de 2020, 16h55

Aproveitando a data comemorativa do 46º aniversário de Sinop, trazemos à comunidade da Escola Estadual Professora Edeli Mantovani uma entrevista com o professor, prata da casa, Tiago Alinor Hoissa Benfica, que possui graduação, mestrado e doutorado em História pela UFGD, e realizou estágio de pós-doutorado na UEMS-Paranaíba. Atualmente, é professor da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso/SEDUC-MT, na cidade de Sinop, lecionando no ensino básico e no ensino superior, nas áreas de História, Sociologia e Antropologia. Concentra suas pesquisas nas áreas de Ensino de História e História da Educação, com foco nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

R.P.P – Por que um trabalho sobre história de Sinop?

T.A. Poder escrever sobre a história da maior cidade do norte do Mato Grosso foi uma consequência da necessidade/vontade de um professor de História de aprender sobre sua realidade. E, esboçando até uma concepção tradicional de didática, para ensinar é preciso ter aprendido, e o ensino, para o professor, é uma etapa de verificação do quanto já se aprendeu, e do quanto ainda tem que se aprender, embora esses limites sempre devam estar no horizonte.

R.P.P – Quais foram os desafios encontrados na pesquisa?

T.A. – O maior desafio foi reunir uma bibliografia que está dispersa, e para isso contei com a ajuda de colegas da UNEMAT e ex-professores da UFGD. Outra dificuldade é fazer a adaptação para uma linguagem didática, pois os trabalhos existentes possuem polaridades opostas: de um lado, uma linguagem muito acadêmica, e de outro, trabalhos memorialistas que se eximem de análises críticas.

Agora, é necessário tempo para se pesquisar. Se não fosse a pandemia, que paralisou as atividades de ensino, este trabalho não teria sido possível.

“Acredito que temos um problema quanto ao sentimento de pertencimento ao local”.

R.P.P – Referente às fontes e documentos, acredita que existe muito material a ser tratado? Esses documentos são de fácil acesso?

T.A. – Ainda não trabalhei com “fontes primárias” sobre a história de Sinop. Acredito que haja muita dificuldade, pois não existe no norte do Estado um arquivo público ou centros de documentação para deixar esse material acessível ao pesquisador.

R.P.P – Você apresenta no início do primeiro artigo que existem muitos trabalhos de memorialistas e história de pioneiros, que tipo de relação existe entre essa literatura e a produção historiográfica da cidade?

T.A. – As obras que costumam ser categorizadas de “memorialistas” fornecem importantes pistas para a investigação histórica, mas, em minha opinião, mesmo as desse tipo, são poucas. No entanto, há certo “ranço” da academia com relação a esses trabalhos, muitas vezes os desqualificando antes de proceder à análise das obras. Por sua vez, a literatura especializada, da academia, traz uma linguagem pouco acessível ao público leigo, sendo então pouco atraente. Por isso a necessidade do trabalho de escrita de um texto didático, que é uma síntese das informações acessadas, e assim também traz a marca dos interesses do autor. Com isso quero dizer que a produção historiográfica, de diferentes tipos, empreende uma disputa sobre a memória social. Por que não entrarmos nesse jogo?

R.P.P – Na sua opinião, por que é importante conhecer e estudar a história de nossa cidade nas escolas?

T.A. – Acredito que temos um problema quanto ao sentimento de pertencimento ao local. Sinop é descrita como uma cidade que oferece oportunidades de trabalho, mas faltam elementos simbólicos para qualificar a cidade. Muitas vezes ouvi coisas que refletem uma “mentalidade colonial”, no sentido de que aqui seria um local para se extrair riqueza da terra. Mas temos muito mais! Temos uma memória para descobrir e uma cultura para conhecer.

Dito isso, quero registrar que não há uma política nítida de memória para a cidade, nem a do colonizador vitorioso e nem a da população subalterna. Afinal, existem estátuas em nossa cidade? Existem prédios ou construções históricas? Essa memória está embrenhada de maneira sorrateira, tal como nos nomes das ruas da cidade.

Como eu coloquei em um dos textos: “Infelizmente, as autoridades ainda não se atentaram para a importância que a história da cidade tem sobre a identidade do seu povo, sobre o sentimento de pertencimento e de amor à localidade que a memória social tem a contribuir com o sentimento de ser sinopense”.

R.P.P – De que maneira você acredita que é possível trabalhar na educação básica a pesquisa histórica e demonstrar na prática o labor do historiador?

T.A. – Não sei. Por que não começarmos com a história dos bairros que envolvem a comunidade escolar?

Mas o grande problema é: “vamos ter tempo”? Nós ficamos muito voltados para as atividades de ensino em sala de aula, e dessa forma os outros projetos têm dificuldade de brotar, pois, para o pesquisador desenvolver seu trabalho, são necessários dois elementos: tempo e dinheiro.

R.P.P – Nesta semana a cidade de Sinop está comemorando seu 46º aniversário. Como você acredita ser o melhor caminho para democratizar o conhecimento histórico de nossa cidade e a história regional?

T.A. – Penso que há duas estratégias para se pensar:

– criar mecanismos para a elaboração de materiais didáticos sobre a história regional, que pode ser realizada por professores da própria SEDUC.

– criar instituições que trabalhem para uma política de memória social, tal como um MUSEU bem estruturado, e uma instituição que arquive as fontes históricas da região, na própria região.

LEIA TAMBÉM OS ARTIGOS DO PROFESSOR TIAGO ALINOR HOISSA BENFICA, PUBLICADOS NO JORNAL DIÁRIO DO ESTADO DO MATO GROSSO, A RESPEITO DA HISTÓRIA DE SINOP.

Estado de Mato Grosso, quarta-feira, 12 de agosto de 2020 Página 07 | CIDADES

http://www.diariodoestadomt.com.br/files/doc/mega_jornal/380/380.pdf

Estado de Mato Grosso, sexta-feira, 21 de agosto de 2020 Página 08 | CIDADES

http://www.diariodoestadomt.com.br/files/doc/mega_jornal/388/388.pdf

Estado de Mato Grosso, quarta-feira, 26 de agosto de 2020 Página 08 | CIDADES

http://www.diariodoestadomt.com.br/files/doc/mega_jornal/391/391.pdf

Estado de Mato Grosso, sexta-feira, 04 de setembro de 2020 Página 08 | CIDADES |

http://www.diariodoestadomt.com.br/files/doc/mega_jornal/398/398.pdf

Estado de Mato Grosso, quarta-feira, 06 de setembro de 2020 Página 08 | CIDADES |

http://www.diariodoestadomt.com.br/files/doc/mega_jornal/400/400.pdf

Estado de Mato Grosso, sexta-feira, 11 de setembro de 2020 Página 08 | CIDADES |

http://www.diariodoestadomt.com.br/files/doc/mega_jornal/402/402.pdf

Estado de Mato Grosso, sexta/segunda-feira, 12 e 14 de agosto de 2020 Página 07 | CIDADES |http://www.diariodoestadomt.com.br/files/doc/mega_jornal/407/407.pdf

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